A CULTURA DO DIÁLOGO E DA ESCUTA ATIVA NO AMBIENTE ESCOLAR

A comunicação é uma habilidade essencial em vários meios de nossas vidas, seja pessoal ou profissional. Por isso, também é importante dentro da comunidade escolar. Contudo, para além de boas práticas de comunicação, a nova educação destaca a cultura do diálogo e da escuta ativa nas escolas.

O Festival Nova E-ducação promoveu uma conversa sobre o assunto e contou com a presença de Roberta Desnos, psicóloga e consultora pedagógica do LIV, e Diego Mahfouz, escritor, palestrante e diretor de escola. Diego ficou conhecido por transformar a realidade da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, de um ambiente depredado e violento para um espaço revitalizado, com projetos escolares envolvendo toda a comunidade.

Pela sua postura de transformação e inovação na escola, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, e foi anunciado como finalista do Global Teacher Prize, prêmio de grande destaque internacional na área de educação.

Confira a seguir os principais pontos dessa conversa!

Escuta ativa

A escuta ativa é uma habilidade que torna o diálogo mais eficiente. Através dela, os participantes demonstram interesse na fala um do outro e geram um vínculo que permite que cada um interprete a posição daquele que fala. Ou seja, envolve outras habilidades, como a empatia e a imparcialidade, por exemplo.

Essa técnica traz benefícios para o ambiente escolar, como a melhora do relacionamento entre os alunos e o corpo docente, a mediação de conflitos, trabalho em equipe e o enriquecimento da comunicação, fatores importantes para um cenário de transformações como o que vivemos.

Diego destaca a escuta ativa como o ‘saber ouvir’, que é essencial no dia a dia escolar onde, muitas vezes, é repleto de demandas administrativas e não há um tempo ou espaço dedicado para ouvir, refletir e cultivar relações afetivas.

Como exemplo, o escritor cita o início de sua carreira como diretor em escola, pois foi essencial saber ouvir. Isso porque ele foi nomeado responsável após a saída da diretora anterior e, na época, os alunos tinham depredado as salas de aula, entre outras atitudes que só pararam quando Diego disse que gostaria de ouvi-los e, então, direcionou a palavra a eles. Esse foi o seu primeiro passo na escola: despertar a escuta ativa e o diálogo.

O lugar de escuta dentro do processo de ensinar

Além de pensar a escuta ativa e o diálogo dentro do ambiente escolar, é preciso entender como eles se inserem no processo de ensino. Nesse tema, Diego ressalta que durante todo o processo muitos educadores se preocupam com a transmissão do conhecimento, mas a inovação está em fortalecer questões socioemocionais, interações e aproximação da comunidade para a construção do projeto político pedagógico da escola.

Ele também enfatiza que o ato de ouvir precisa ir muito além das 4 paredes da escola, atingindo a comunidade, os alunos, os pais, de maneira que a cultura da escuta ativa possa ser enriquecida, já que todos têm muito a acrescentar no processo.

Em sua trajetória como diretor, Diego envolveu toda a comunidade, interna e externa à escola, para pensar sobre os problemas e ajudar a desenvolver soluções em formato de projetos, sempre a partir do diálogo.

Mediação de conflitos

Roberta Desnos traz um ponto essencial dentro das possibilidades do diálogo e da escuta ativa: a mediação de conflitos. Então, ela levanta a questão: “Como essa habilidade pôde transformar uma escola que tinha um cenário caótico e violento em um lugar no qual os alunos conseguiram se reconhecer como parte dessa escola e como parte desse grupo?”.

A resposta dada pelo escritor é que a mediação de conflitos teve um papel fundamental para trabalhar as relações dentro da escola. Isso porque, segundo ele, a escola é uma fábrica de conflitos, um ambiente repleto de pessoas que pensam diferentes, com ideias distintas, o que leva a desentendimentos. Por isso, o diferencial é a forma de gerir cada conflito, identificando as situações e fortalecendo o diálogo e a escuta.

A mediação de conflitos envolve questões como imparcialidade, escuta ativa, reflexão e diálogo, abrindo espaço para os participantes se expressarem, ouvirem uns aos outros e pensarem em soluções, de forma respeitosa e assertiva.

Escuta ativa na comunidade escolar

Se a escola é um ambiente onde muitos conflitos acontecem, isso pode ter origem na resistência a algo, por exemplo. Por isso, Roberta questiona formas de levar a escuta ativa para a comunidade escolar como solucionadora de problemas.

Diego prontamente ressalta que o diretor de uma escola precisa ir muito além de líder do time, ele precisa ser apaixonado pela parte pedagógica da escola, de forma que envolva toda a comunidade escolar para participar e aperfeiçoar cada vez mais o ambiente.

Algumas práticas destacadas por ele foram reuniões e formações de professores, que contavam sempre com a participação dos pais, fazendo a escola ser um grande ambiente de mediação dentro da comunidade.

O escritor também enfatiza que há um processo de acolhimento dentro da escuta ativa, o que fez a comunidade acreditar muito mais na escola e se sentir pertencente ao processo. Segundo ele, “a escola precisa ter esse papel de acolher, e nós, como educadores, conseguimos transformar vidas, e isso é algo mágico”.

A nova educação não traz somente o protagonismo do aluno como essência, mas também um trabalho colaborativo da escola com a comunidade, uma construção em equipe.

Fonte: Eleva Educação Blog

Leave a Reply

× Como posso te ajudar?